quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Magnólia

Finalmente, depois de tantos anos, eu assisti ao tão falado "Magnólia". Desde 1999 eu ouvia falar muito bem desse filme, que me foi recomendado pelas mais variadas pessoas, e sempre tive curiosidade de vê-lo para entender o que havia de tão genial em um filme de 3 horas de duração que terminava com uma chuva de sapos e tinha o Tom Cruise no elenco.

3 horas depois, eu descobri: nada.

Não sei quando isso começou, mas parece que de uns 10 anos para cá todos os diretores iniciantes decidiram que o quente mesmo era fazer filmes com múltiplas linhas de tempo. Pegar vários personagens diferentes, e contar suas histórias de maneira embaralhada, para que no final tudo fizesse sentido, mostrando como a sociedade é complexa, que a vida é cheia de surpresas, blá blá blá.

"Magnólia" conta as histórias de várias pessoas: uma viciada em drogas que pensa que o pai a molestou, um policial careta que não consegue namorada, um menino prodígio explorado pelo pai no Show do Milhão, um trouxa que foi explorado da mesma forma nos anos 1960 e agora é só mais um desempregado, um picareta que ensina nerds otários a pegar mulher, um homem velho que trabalhava na TV e que agora está morrendo de câncer, sua esposa maluca que não toma os remédios para depressão e um enfermeiro desastrado que tenta fazer a coisa certa.

Como todas essas histórias se relacionam? É muito simples: um é casasdo com o outro, o outro é pai do outro, X comeu Y, fulaninho dormiu com não sei quem, e no final do filme tem uma chuva de sapos.

Não. É sério. No final do filme tem uma chuva de sapos.

E os personagens? Bom, os personagens são só um bando de pobres coitados precisando urgentemente de terapia. Só isso. Eles não são interessantes, não têm nenhum mistério, e não têm nada de interessante para dizer. Exceto talvez pelo velho, que faz um discurso interessante sobre arrependimento quando está prestes a morrer.

A culpa não é dos atores, que de maneira geral estão todos muito bem no filme. Até mesmo o Tom Cruise. Julianne Moore já se tornou especialista em mulheres frágeis e desesperadas com depressão clínica e tendências suicidas. Alfred Molina, irreconhecível, faz uma boa ponta como Solomon Solomon. William H. Macy, Melora Walters e John C. Reilley também estão bem. E Jason Robards, que deve ter uns 40 anos de carreira a mais do que todos esses outros atores, dá um banho de atuação como o moribundo Earl Partridge. Ele passa o filme inteiro deitado na cama, dormindo em metade das cenas, e mesmo assim é a melhor coisa do filme.

O que me decepcionou em "Magnólia" foi ver que um diretor potencialmente bom gastou um filme enorme tentando ser genial e só conseguiu fazer um filminho chato. O roteiro, que aparentemente esbarra em vários assuntos delicados, acaba por não se aprofundar em nenhum deles. Começa e termina com uma baboseira qualquer sobre coisas estranhas acontecerem, e usa algumas famosas lendas urbanas totalmente fantasiosas como exemplo. E no final joga uma chuva de sapos para fingir que é um clímax ou algo do tipo. Mas é só um monte de sapos caindo do céu. Não tem nenhuma epifania nisso.

Acho difícil comparar esse filme com algum outro, mas vamos tentar: em termos de "filmes complexos cheios de relações inter-pessoais", eu diria que "Corra, Lola, Corra" é muito mais bem sucedido do que Magnólia. Funciona melhor, é mais redondinho, e as relações entre os personagens são mais significativas. Aquela doideira toda da edição e da história funcionam muito bem e têm algo a dizer.

Outro filme que me veio à memória foi "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", por causa dessa necessidade que "Magnólia" tem de a todo momento reafirmar que o mundo é um lugar mágico onde coisas estranhas acontecem. Amélie resolve essa "questão" com maestria e realmente chega em algum lugar - sem chuva de sapo, sem Tom Cruise, e com uma trilha sonora interessante.

Outra coisa: por que diabos o filme se chama "Magnólia"? Em todos os cômodos dos cenários aparece um quadro de uma magnólia pendurado na parede. E daí? Eu só reparei isso porque li em algum artigo. Por mim o filme poderia se chamar "Chuva de Sapos" ou "A Vida É Uma Confusão". Ia dar na mesma. Por que não "Petúnia" ou "Girassol"?

Resumindo: Um filme chato e pretensioso que não chega a lugar nenhum, e ainda usa um truque sujo para resolver a história. Alguém por favor pague um curso de roteiro pra esse menino. Tragam as sandálias da humildade para ele!

2 comentários:

madame disse...

Eu ainda não vi Magnólia. Nem pretendo.

Kfema disse...

Meu deus.... essa foi a melhor critica que eu jah li em toda a minha vida....
haushauhsuahauahuaha